TRANSCRIÇÃO:

“CENTRO DE TRABALHO INDIGENISTA”
“Rua Fidalga 548, sala 14 05432-000 São Paulo/ SP/ Brasil Tel.: 011.813.3450 Tel.Fax 011.212.1520”

“PRÁTICAS DE SUBSISTÊNCIA E CONDIÇÕES DE SUSTENTABILIDADE DAS COMUNIDADES GUARANI NA MATA ATLÂNTICA
SEMINÁRIO
“Setembro de 1997”

A partir de 1981 passamos, através do Projeto Guarani, a desenvolver ações sistemáticas também nas demais aldeias compreendidas entre o litoral sul de São Paulo” (...). “Embora o Projeto Guarani se constituísse em apoiar o sistema de produção agrícola dos Guarani” (...) “promovendo reuniões entre as várias comunidades - o objetivo principal do CTI era a regularização das áreas ocupadas pelos índios”. (...) “Até 1988 apoiamos as atividades agrícolas das aldeias de São Paulo, demarcadas em 1987. A partir de então concentramos nossas ações nos levantamentos e nos encaminhamentos para regularização fundiária das áreas Guarani do Rio de Janeiro, do litoral do Paraná, do litoral de Santa Catarina e outras aldeias no litoral sul de São Paulo”.
“Até o momento, o conjunto das áreas Guarani homologadas no litoral, entre os estados do Rio Grande do Sul e Espírito Santo, compõem um total de apenas 10.581,64 ha. Há vários processos de identificação sem continuidade, iniciados a partir de 1992”.
Em 1996, o CTI passa a contar com o apoio da KFS - “Kofinanzierungsstelle für Entwicklungszusammenarbeit” ao projeto “Recuperação de Terras e Subsistência do Povo Guarani”, coordenado por Maria Inês Ladeira com o apoio de um agrônomo, que vem sendo desenvolvido prioritariamente em áreas que apresentam conflitos fundiários ou que ainda não estão regularizadas”.



SOBRE A TRANSCRIÇÃO ACIMA:

FONTE¹ -  Processo Demarcatório Vol. 2 – Relatório de Identificação e Delimitação - Folha  414.
(...) “a partir da década de 1990, em razão do início dos procedimentos de demarcação de áreas para os Guarani no litoral catarinense, provocado inicialmente por relatório do CTI – Centro de Trabalhos Indigenista, datado de 1991”.
COMENTÁRIO: relatório do CTI – Centro de Trabalhos Indigenistas, cuja autora Maria Inês Ladeira sócia fundadora da ONG / CTI, viria a ser também, de 1993 até 2002, ano da publicação do edital propondo a demarcação,  a  Coordenadora deste processo demarcatório por ela peticionado, bem como, autora do relatório final de delimitação de terras indígenas para fins demarcatórios no Morro dos Cavalos, cujo teor foi apreciado e julgado procedente por Maria Auxiliadora de Sá Leão ex-Presidente da Ong - CTI.

FONTE² -  Processo Demarcatório Vol. 1 – Folha  267.
(...) “No dia 5 de janeiro foram assentadas oito famílias Guarani-Mbyá, em Massiambu Município de Palhoça; em área situada no limite do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, próximo a Florianópolis. A partir do Projeto Guarani, coordenado por Aldo Litaiff, do Museu da Universidade Federal de Santa Catarina.”
COMENTÁRIO: O assentamento citado na FONTE² ocorreu no ano de 1992. Aldo Litaiff, também viria a integrar a equipe de antropólogos do processo demarcatório do Morro dos Cavalos.

FONTE³ - A Identidade Étnica na Dinâmica Social dos Guaranis Nhandévas. Maria Rosa Coutinho  -  Conclusão de Curso de Ciências Sociais – UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) -  1994.
(...) “Objetivo com esta pesquisa contribuir para o Projeto Guarani do litoral catarinense, que visa basicamente garantir o direito às suas terras respeitando sua antiga ocupação e, além disso, favorecer às suas práticas tradicionais no mesmo instante em que se relacionam com a sociedade regional”. (Coutinho, 1994:4).
COMENTÁRIO:  Mais uma comprovação da existência do Projeto Guarani que viria a partir do Morro dos Cavalos, incentivar a prática da invasão e ocupação de áreas particulares e públicas para assentamento de indígenas paraguaios.
O “Projeto Guarani” iniciado na década de 1990 é citado em outros trabalhos técnicos da Universidade Federal de Santa Catarina. Isto demonstra que o assentamento e a posterior demarcação de pretensas terras indígenas Guarani no Morro dos Cavalos, foi planejada e premeditada sem o conhecimento da FUNAI.