O ESCÁRNIO E A ZOMBARIA COMO SUBSTITUTOS DA ANTROPOLOGIA CIENTÍFICA

As transcrições abaixo, acatadas no ano de 2003 pelo MJ – Ministério da Justiça do Brasil como científicas e legais, foram extraídas do primeiro encaminhamento público oficial, atinente ao direito legal da posse sobre terras catarinenses, dirigida às populações indígenas provenientes do Paraguai.
Os textos transcritos a seguir são fraudes, argumentações negligentes e bizarras que refletem a degradante política indigenista imposta aos povos autóctones do Paraguai.
A autora das fraudes, Maria Inês Ladeira - sócia fundadora da Ong - CTI (Centro de Trabalhos Indigenistas) expressa o seu profundo desrespeito pela antropologia quando, em parceria com antropólogos vinculados a UFSC - Universidade Federal de Santa Catariana, intercede nos direitos indígenas e destinos da culturra Guarani paraguaia.

- A Fraude dos Indígenas Invisíveis do Litoral –
FONTE¹ - Processo Demarcatório Vol. 2 -  Relatório de Identificação e Delimitação - Folha 418.
TRANCRIÇÃO – (...) “A ausência ou insuficiência de registros sistemáticos sobre a presença contínua dos Guarani na costa Atlântica não deve se constituir em prova de negação dessa presença Indígena.” (...) “Levantamentos realizados a partir da década de 1970, e a crescente visibilidade das aldeias na atualidade, comprovam que os Mbyá passaram a predominar numericamente em toda a faixa litorânea do Rio Grande do  Sul ao Espírito Santo”.
COMENTÁRIO - Sobre o texto acima não há registros sobre possíveis “Levantamentos realizados a partir da década de 1970”, referentes a Mbyá. Tampouco Ladeira pode sugerir a predominância na década de 1970 dos Mbyá, ao relativizá-los a um outro povo indígena supostamente existente a época na faixa litorânea,  porque os nativos indígenas da costa brasileira foram dados por extintos a partir dos anos de 1680, século XVII. Não há fontes bibliográficas para esta afirmação, senão as argumentações fraudulentas de Maria Inês Ladeira. Pesquisas nas universidades de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, FUNAIIBGE não mencionam a presença de Guarani-Mbyá, ou qualquer outro povo indígena fixado no litoral na década de 1970.

- A Fraude do Êxodo Mbyá do Litoral para o Paraguai –
FONTE¹ - Processo Demarcatório Vol. 2 - Relatório de Identificação e Delimitação - Folha 413.
TRANCRIÇÃO  –  (...) “Durante a colonização, movimentos de retirada dos Guarani/Carijó de lugares que ocupavam no litoral, para outros, foram os meios que encontraram para manterem-se distantes dos novos povoadores sem submeterem-se aos seus processos de   ‘domesticações’. (...) (Ladeira, Darella e Ferrareze, 1996:21)”.
FONTE² - Processo Demarcatório Vol. 2 - Relatório de Identificação e Delimitação - Folha 412.
TRANCRIÇÃO  –  (...) “No século XIX, os Guarani que tendo escapado dos colonos e dos jesuítas conservaram sua autonomia, estabelecendo-se num território que durante muito tempo permaneceu inacessível, foram denominados caaiguás ou cainguás gente da floresta (Clastres, H., 1978).
COMENTÁRIO - Não há comprovação bibliográfica para as duas citações acima (FONTE¹ e FONTE²), referente a um processo de evasão indígena da costa sul do Brasil/Santa Catarina em direção aos confins do Paraguai, senão as de autoria da própria antropóloga Maria Inês Ladeira. É mais uma afirmação falsa objetivando configurar uma tradicional, mesmo que remota, para Ladeira, ocupação do povo Mbyá Guarani do paraguai na costa catarinense.
NOTA - a bibliografia define como caaiguás ou cainguás os indígenas não contatados habitantes das matas do Paraguai.

- A Fraude dos Indígenas Sem Roupas do Morro dos Cavalos –
FONTE - Processo Demarcatório Vol. 2 -  Relatório de Identificação e Delimitação - Folha 447.
TRANCRIÇÃO  – (...) “I - A roupa, vocês usavam a roupa do Juruá? R – Não, a roupa nossa, tem ainda nossa roupa...,(...) (...)Ninguém usava pelado mesmo, ninguém”.
COMENTÁRIO – a transcrição acima refere-se a uma suposta entrevista de Maria Inês Ladeira com uma indígena Guarani na região do Morro dos Cavalos – SC. A suposta entrevista ocorreu em novembro de 2001.
O Morro dos Cavalos pode ser avistado do centro de Florianópolis. Mesmo assim Ladeira sugere, segundo a depoente indígena (R), que a indígena e seus familiares viviam nus no Morro dos Cavalos, as margens de uma Rodovia de alto tráfego (Br101), a 35 Km do centro de Florianópolis.
Maria Inês Ladeira poderia se confundir: um caso de posicionamento geográfico equivocado, confundir a Br 101/SC com a rodovia Transamazônica na década de 1970, por exemplo, se a fraude e mentira não fosse um contumaz argumento de Ladeira.
Não há registros de indígenas vivendo “pelado mesmo” no Morro dos Cavalos nos últimos trinta, quarenta ou cem anos, etc.

- A Fraude dos Indígenas Escondidos nas Matas Catarinenses em 1991 –
FONTE¹ - Processo Demarcatório Vol. 1 – Folha 26 .
TRANCRIÇÃO  –  (...) “Indica ainda a possibilidade de que alguns grupos familiares conservaram-se em parte de seu território desde a época da conquista”.   (...)  “Os Nhandéva de Santa Catarina, hoje, não identificam parentes no litoral sul se São Paulo e vice  versa, não mantendo atualmente nenhum intercâmbio social. Este fato talvez indique que os Nhandéva estejam estabelecidos secularmente nesses lugares.
COMENTÁRIO – as possibilidades acima aventadas “de que alguns grupos familiares conservaram-se em parte de seu território desde a época da conquista” ou “os Nhandéva estejam estabelecidos secularmente nesses lugares” denota a falta de compromisso de Maria Inês Ladeira com a verdade ou, pelo menos, com o plausível.
No intuito de suprir as exigências legais pertinentes ao Artigo nº 231 da Constituição Brasileira, ocupação tradicional e permanente, surge mais uma fantástica descoberta antropológica de Ladeira:
Somente Maria Inês Ladeira e sua OngCTI (Centro de Trabalhos Indigenistas), descobriram indígenas “estabelecidos secularmente nesses lugares” na década de 1990, a 25 minutos do centro de Florianópolis. Séculos se passaram e ninguém notou, exceto Ladeira, a presença, “desde a conquista”, de Guaranis Mbyá vivendo a 25 minutos de carro do centro de Florianópolis até as misteriosas aldeias existentes “desde a época da conquista”. 
Maria Inês Ladeira, Coordenadora do processo demarcatório do Morro dos Cavalos/SC, apoiada pelos antropólogos da UFSCUniversidade Federal de Santa Catarina, cometeu um lapso de atenção ao confundir, novamente, o litoral se Santa Catarina com a vastidão da floresta amazônica?

- A Fraude do Desconhecimento  da Língua  Portuguesa –
FONTE - Processo Demarcatório Vol. 2 -  Relatório de Identificação e Delimitação - Folha 419.
TRANSCRIÇÃO - “A despeito da existência de uma memória e de uma construção coletiva de sua história de contato, encontra-se, entre os Guarani (especialmente do subgrupo Mbyá), uma minoria com domínio da língua portuguesa e inúmeras famílias com pouca comunicação com a sociedade envolvente”.
COMENTÁRIO – não é preciso ser antropólogo para conhecer e entender as razões que impediam os Mbyá, assentados no Morro dos Cavalos, de se comunicarem na língua portuguesa. Afinal, recentemente – 1994 -  haviam adentrado o Brasil vindos do Paraguai ou de Missiones na Argentina. O que Ladeira não informa é que estes indígenas falavam o espanhol ou castelhano, além do Guarani. 
Ladeira insinua que os Mbyá, indígenas pretendidos por ela e seus colaboradores da UFSC à demarcação de uma reserva indígena no Morro dos Cavalos, estavam isolados nos recônditos das selvas do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro até 1992, e por esta razão não falavam o português? A propósito, o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro pode ser avistado, a olhos nus, do centro de Florianópolis.

- A Fraude Testemunhal sobre a Comunidade de Araçatuba –
FONTE - Edital de Demarcação - Diário Oficial da União. 18/12/2005 - Pág. 46:
TRANSCRIÇÃO -  “A Prefeitura de Palhoça através do Secretário de Educação não se opôs aos estudos antropológicos na comunidade de Araçatuba”.
COMENTÁRIO - A histórica comunidade de Araçatuba e a escola lá existente passaram a ser inseridas, dentro da parte sudeste da pretensa reserva indígena do Morro dos Cavalos. A FUNAI e seus antropólogos pretendem eliminar esta comunidade através de declarações improcedentes atribuídas aos administradores municipais, o que legitimou a Prefeitura Municipal de Palhoça a contestar administrativamente o processo demarcatório.

-  A Fraude  dos Depoentes da Comunidade da Foz do Massiambu –
FONTE - Processo Demarcatório Vol.  1 - Folhas 97-98.
COMENTÁRIO  - Sobre a comunidade da foz do Rio Massiambu, inserida dentro dos limites sul da pretensa demarcação, ocupado há mais de dois séculos por famílias descendentes de açorianos, os antropólogos atuantes neste processo demarcatório valendo-se da ingenuidade e da pouca instrução daquelas famílias, tentaram comprovar a tradicionalidade da ocupação Mbyá citando-as como fontes de informação favoráveis a suas teses demarcatórias. Tais informações foram desmentidas pelas famílias conforme declarações lavradas em cartório.

- A Praia de Nudismo Interagindo com a Antropologia –
FONTE¹ - Processo Demarcatório Vol. 2 - Relatório de Identificação e Delimitação Folha – 593: ver cartografia adulterada produzida pela FUNAI.
COMENTÁRIO - quais valores culturais, morais, éticos ou até mesmo “cosmológicos”, contumaz apelo utilizado nos textos antropológicos indigenistas, enfim, qual a pertinência ou o propósito de Maria Inês Ladeira, sócia proprietária da Ong – CTI, peticionaria, coordenadora e autora do relatório final do processo demarcatório do Morro dos Cavalos/SC, quando se constata através do levantamento cartográfico a existência de uma antiga e consagrada praia de naturismo (nudismo), doravante totalmente cercada pela área proposta à demarcação de terras para fins de reserva Indígena?

- A fraude do levantamento Cartográfico –
A bibliografia histórica sobre os povos Guarani os define como contumazes agricultores. Neste aspecto comportamental, manifestações religiosas atreladas a indispensável terra agricultável compartilham iguais e importantes valores culturais. Ladeira, sabendo da prática agrícola religiosa, justifica a existência de áreas agricultáveis na região pretendida à demarcação, através da adulteração de uma carta topográfica do IBGE, mediante a supressão voluntária das curvas de nível demonstradas na representação cartográfica que ela, ladeira, manipula e subscreve do local. Esta fraude induz ao incauto leitor do processo demarcatório do Morro dos Cavalos, a uma interpretação equivocada das condições topográficas da região ao considerá-la plana e conseqüentemente propícia às atividades agrícolas indígenas.
Ladeira, responsável pela petição, deflagração, coordenadoria e autoria do relatório final do processo demarcatório Morro dos Cavalos/SC, instituído pela FUNAI, subscreve também a fraude cartográfica, expressa na folha 570 do processo demarcatório vol. 2, deliberadamente representada na forma de uma planície, quando na realidade a região é  extremamente acidentada.

Abaixo, a representação cartográfica fraudada. DOU - Diário oficial da União - 2002.


Note a adulteração na carta acima, através da retirada voluntária das curva de nível da área "churiada" (linhas estreitas em paralelo localizadas a oeste da rodovia Br 101). Esta área a oeste da rodovia para Ladeira é plana quando de fato é extremamente acidentada.

 

 

Abaixo, a representação topográfica correta na mesma situação geográfica da carta acima: FONTE - IBGE

Note na carta acima, as curvas de nível disposta por toda a área que é intensamente irregular.

 

-  A topográfica da região demonstrada através da imagem de satélite: FONTE– INPE

                   

Note na foto satélite acima a pronunciada irregularidade topográfica na parte superior da fotografia. Região em que Maria Inês Ladeira/Ong - CTI, entende ser adequada à ocupação indígena, uma planície conforme sua representação cartográfica.

"Você pode enganar algumas pessoas todo o tempo
Você pode também enganar todas as pessoas Algum tempo
Mas você não pode enganar todas as pessoas todo o tempo".