RELATÓRIO À UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
- DENÚNCIA -

 

TRANSCRIÇÃO

Relatório
à
Universidade Federal do Estado de Santa Catarina
 Fevereiro/2006

INTRODUÇÃO - O objetivo deste relatório é participar ao meio científico e acadêmico, o envolvimento Antropológico Indigenista no contexto social e político das populações Guarani (Mbyá e Nhandéva). Relacionar seus efeitos e conseqüências no tocante às ascensões curriculares, duplicação da Br 101 trechos RS/SC, preservação da memória histórica de Santa Catarina, e principalmente às mortes de indígenas Mbyá-Guarani paraguaios e argentinos.
O assunto diretamente vinculado aos Antropólogos Indigenistas da Universidade Federal de Santa Catarina, será exposto resumidamente dentro da ordem cronológica dos fatos.

-  O Projeto Guarani / (1990):
²(...) “No dia 5 de janeiro foram assentadas oito famílias Guarani-Mbya, em Massiambu município de Palhoça; em área situada no limite do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, próximo a Florianópolis. A partir do Projeto Guarani coordenado por Aldo Litaiff, do Museu da Universidade Federal de Santa Catarina.” (Processo Demarcatório Vol. 1 – Folha  267.)
Comentário: O assentamento ocorreu no ano de 1992. Aldo Litaiff  viria a integrar em conjunto com Maria Dorothea Post Darella a equipe de antropólogos atuantes no Processo Demarcatório do Morro dos Cavalos instituído pela FUNAI no ano de 1993.
 (...) “Objetivo com esta pesquisa contribuir para o Projeto Guarani do litoral catarinense, que visa basicamente garantir o direito às suas terras respeitando sua antiga ocupação e, além disso, favorecer as suas práticas tradicionais no mesmo instante em que se relacionam com a sociedade regional.” (A Identidade Étnica na Dinâmica Social dos Guaranis Nhandévas. Maria Rosa Coutinho  -  Conclusão de Curso de Ciências Sociais –Universidade Federal de Santa Catarina -  1994, Pág. 04).

** (...) “Levantamentos recentes reunindo fontes escritas e registros arqueológicos procuram reconstruir ou reinterpretar a história da presença Guarani no litoral catarinense. (...) a partir da década de 1990, em razão do início dos procedimentos de demarcação de áreas para os Guarani no litoral catarinense, provocado inicialmente por relatório do CTI Centro de Trabalhos Indigenista, datado de 1991.” (Folha 414 do Processo Demarcatório Vol. N° 2).
Comentário:  A partir do Morro dos Cavalos, se intensificou a prática da invasão e ocupação de áreas particulares e públicas para assentamento de indígenas paraguaios e argentinos, principalmente  ao longo da rodovia Br 101 em processo de duplicação.
O “Projeto Guarani” iniciado na década de 90, é citado em outros trabalhos técnicos antropológicos. Isto demonstra que os assentamentos Mbyá-Guarani, foram planejados e premeditados por um pequeno grupo de antropólogos da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina em conjunto com Maria Inês Ladeira da PUC – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. A FUNAI diante da interferência acadêmica respaldada pela Procuradoria da República em Florianópolis, cedeu às pressões obrigando-se assim a manifestar-se através de ações administrativas demarcatórias.  

No fim da década de 80 e início da década de 90, houve um significativo aumento do fluxo de famílias ingressando no RS a partir da Província de Missiones (Argentina). A falta de providências jurídicas do organismo indigenista brasileiro no sentido de garantir espaços aos Guarani, proporcionou a formação de inúmeros acampamentos ao longo de rodovias federais e estaduais no RS.(EIA- RIMA Complementar - As Populações Indígenas e a Duplicação da Br 101, Trecho Palhoça/SC –Osório/RS). (Maria Dorothea Post Darella, Ivori José Garlet, Valéria Soares de Assis; página 148)
Comentário:  Os Mbyás assentados no Morro dos cavalos em 1994, vieram de Missiones na Argentina. Aqueles citados como provenientes do Rio Grande do Sul  na realidade vieram de Missiones, via Rio Grande do Sul, como demonstra o texto acima de Darella.

- A Conceituação Casuística da “Mais  Propalada Terra Indígena   em   todo  Litoral Catarinense.”
- “O  Morro dos Cavalos é, convém a ênfase, a mais copropalada terra indígena em todo litoral catarinense, em razão do interesse de vários pesquisadores acadêmicos (podemos mencionar, a propósito, os antropólogos Sílvio Coelho dos Santos e Aldo Litaiff).”(Processo Demarcatório Vol.  1 - Folha 96).
Comentário: Persuadir o incauto leitor e a opinião pública  propalando que o Morro dos Cavalos era a mais divulgada ou comentada terra indígena, foi o instrumento viabilizado através do processo demarcatório e da mídia. O óbvio está comprovado através das palavras de um antropólogo, partícipe do Processo Demarcatório do Morro dos Cavalos:“em razão do interesse de vários pesquisadores acadêmicos. (podemos mencionar, a propósito, os antropólogos Sílvio Coelho dos Santos e Aldo Litaiff).” Não há fontes ou qualquer citação bibliográfica enfatizando a tal “propalada terra indígena” senão àquelas recentemente escritas pelos antropólogos, vinculados a UFSC e  a PUC de São Paulo, autores do processo demarcatório do Morro dos Cavalos.
Exemplifico  a seguir os “propósitos e interesses acadêmicos” do antropólogo Aldo Litaiff em relação à “mais propalada terra indígena em todo litoral catarinense.

-“Este trabalho aborda aspectos étnicos contidos nos discursos sobre a cosmovisão e práticas sociais dos Guarani Mbyá da aldeia de Bracui, localizada na Morro do Bico de Arraia, Serra do Mar (...) Rio de Janeiro.” (As divinas Palavras: Representações Étnicas dos Guarani-Mbyá - Aldo Litaiff - Dissertação como requisito parcial para a obtenção de grau de Mestre em Antropologia pela  Universidade Federal de Santa Catarina  - 1992 – UFSC)
Comentário: A participação de Aldo Litaiff nos autos do processo demarcatório do Morro dos Cavalos é  um acinte  aos valores inerentes a ética acadêmica, conforme demonstraremos mais adiante. 
Voltando ao assunto As divinas Palavras” Dissertação de Litaiff como requisito parcial para a obtenção de grau de Mestre em Antropologia pela  Universidade Federal de Santa Catarina  - 1992/92, o autor ao discorrer sobre o tema não cita a presença de Guarani-Mbyá no Morro dos Cavalos ou no litoral Catarinense.  Litaiff, para a elaboração de sua tese recorreu às populações indígenas da aldeia de Bracui no Rio de Janeiro
Porque Litaiff não utilizou os “tradicionais Guarani-Mbyá” da região do Morro dos Cavalos, distante 45 Km. da Universidade Federal de Santa Catarina? A resposta é óbvia: Porque Até 1993 o  litoral de Santa Catarina, especificamente o Morro dos Cavalos, não eraA mais propalada terra indígena em todo litoral Catarinense em razão do interesse de vários pesquisadores acadêmicos”. Após 1994,  com o incremento das discussões sobre a duplicação da Br 101-Trecho Sul, o Morro dos Cavalos passa a ser ocupado por Guarani-Mbyá, e desta forma, torna-se pela conveniência antropológica aliada a leniência, e em alguns casos a desinformação de algumas instituições, a “mais propalada terra indígena em todo litoral catarinense”.  Razão pela qual conflitos, motivados pela atuação dos antropólogos da UFSC a serviço da FUNAI, foram criados no intuito de barganhar medidas compensatórias junto ao projeto de duplicação da Br 101 - trecho sul, conforme demonstraremos adiante.

A seguir, a entrevista dada pelo Litaiff ao Jornal A Notícia Capital de Santa Catarina – ANC – (Domingo, 02 de Julho de 2000).
Título: “Antropólogo mergulha no mundo dos carijós - Aldo Litaiff identifica um “pensamento filosófico” no cotidiano e nas tradições dos índios guarani-mbyá.”    (Jornalista Celso Martins).

ANC - Eles já estavam aqui na chegada dos primeiros europeus?
Litaiff - Eram chamados de carijós. Depois da ocupação eles foram dizimados. Os que sobraram sumiram nas florestas ou voltaram para a o interior. Então eles estão circulando pelos mesmos espaços que sempre ocuparam desde aquele tempo. Com o processo de colonização esse espaço foi modificado e a partir do final do século passado começou um processo de retomada do litoral.
ANC - Existem documentos dessa presença?
Litaiff - Nós temos documentos dos séculos 16 e 18 informando que em Santa Catarina existem poucos, em função da colonização, mas existem. Outro documento de 1576 fala de guaranis na região de Viaçá, hoje Massiambu. Eles sempre estiveram por aqui. Não abandonaram completamente as terras. Temos os relatos de Cabeça de Vaca e Aleixo Garcia de 1514, que falam dos guaranis vivendo nessa mesma região e da mesma maneira que eles vivem hoje.
Comentário: Indiscutivelmente entre os estudiosos das culturas autóctones da Americana do Sul meridional, os relatos deixados pelos jesuítas formam o maior e o mais confiável acervo bibliográfico sobre os povos Guaranis.  Não se conhece nenhum relato deixado pelos Jesuítas, citando um provável êxodo de Guarani – Mbyá ou Guarani - Carijó em direção ao oeste, chegando até os confins do Paraguai. Portanto não há embasamento científico nas teses que afirmam a provável evasão pretérita  dos Guarani-Mbyá, atualmente assentados no Morro dos cavalos, em direção ao Paraguai. O que poderia configurar uma tradicional, mesmo que remota, ocupação do povo Mbyá na costa catarinense como querem alguns antropólogos.
A ampla bibliografia desde o século XVI sobre os povos nativos da América do Sul, escrita pelos inúmeros e notáveis catarinenses, Jamundá (catarinense por opção), Schadem, Boiteux, Oswaldo R. Cabral, Walter Piazza, etc., citam como tradicionais habitantes da costa catarinense os Carijó, diferenciados física e culturalmente dos atuais Guarani-Mbyá recentemente assentados no litoral.
Até mesmo o escritor Silvio Coelho dos Santos, de interpretação dúbia quanto aos seus trabalhos científicos,  assim sintetiza a questão dos Guarani-Mbyá do Morro dos Cavalos:
“Os Guarani estão dispersos em pequenos grupos por vários postos indígenas e, também, por núcleos urbanos. Os que vivem junto aos postos indígenas somam 878 indivíduos. Os grupos desassistidos pelo órgão oficial não têm aldeamentos permanentes.  Perambulando de um lugar para outro, esses grupos ora estão na periferia de Porto Alegre, ora nas vizinhanças de Florianópolis ou Curitiba.  Todas as informações que logramos reunir indicam que esses contingentes Guarani pertencem ao grupo Mbüa, oriundos do noroeste da Argentina, do Paraguai e sul do Mato Grosso, sua região tradicional. Esses contingentes não são remanescentes da antigas populações Guarani que, à época da descoberta, ocupavam o litoral do sul do Brasil.(SANTOS, 1978:60). Antropólogo pioneiro da UFSC.

- A Comprovação do Premeditado e da parcialidade nos  relatórios antropológicos.
*(...) “Esses relatórios, objetivando a regularização de terras aos Guarani, ainda relacionam e comentam especificamente todos os trabalhos que registram a aldeia Morro dos Cavalos, até 1999/2000.  (Processo Demarcatório Vol. 2 - Relatório de Identificação e Delimitação - Folha  414).
Comentário: No texto acima a Coordenadora do Processo Demarcatório, sócia da ONG/CTI responsável pelo Projeto Guarani para assentamentos de indígenas paraguaios e argentinos no litoral, declara que os relatórios pertinentes aos mais variados interesses institucionais, subscritos por ela e seus colaboradores da Universidade Federal de Santa Catarina,  foram elaborados “objetivando a regularização de terras aos Guarani.”
A seguir, Esses relatórios objetivando a regularização de terras aos Guarani”, citados e subscritos por Ladeira e seus colaboradores, autores do Processo Demarcatório do Morro dos Cavalos , página 414, Vol.2:
- 1991 – Relatório do CTI – Centro de Trabalhos Indigenistas. Autora: Maria Inês Ladeira.
OBS.: Relatório que viria a deflagrar os processos demarcatórios Guarani (Mbyá e Nhandéva) em Santa Catarina, elaborado sem a participação da FUNAI.
- 1996 – Relatório – Áreas e Comunidades Guarani afetadas pelas obras de duplicação da BR 101, no Estado de Santa Catarina, trecho Garuva – Palhoça. Autores: Maria Inês Ladeira, Maria Dorothea Post Darella e João Ferrareze.
OBS.: Sem nunca ter sido contestado, o estudo acima resultou na obtenção de medidas compensatórias dirigidas as populações indígenas paraguaias e argentinas, assentadas na época, as margens da rodovia em processo de duplicação. Vale lembrar que as mesmas autoras também participaram, entre os anos 1996 a 1999, da identificação e demarcação da reserva indígena Nhandéva as margens da Br 101 município de Biguaçu. A responsabilidade destes estudos  transpôs as fronteiras do Brasil, uma vez que a duplicação da Br 101 no trecho norte foi financiada através de investimentos oriundos do BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento. Instituição internacional lesada por informações antropológicas fraudulentas.
- 1999 – Relatório – Eleição da Área a ser destinada pela TBG aos Índios Mbyá-Guarani do Litoral do Estado de Santa Catarina (Portaria 290/PRES. FUNAI – 06.05.99). Autor: Aldo Litaiff.
OBS.: A fraude deste relatório está comentada na página 09 deste Relatório a UFSC.
- 1999 – Relatório  - Aldeias, Terras e Índios Guarani no Litoral centro-norte de SC e a BR 101 (Portarias 641, 699 e 922/PRES. FUNAI – 1998). Autora: Maria Dorothea Post Darella.
* - 2000EIA-RIMA – Estudo de Impacto: as Populações Indígenas e a Duplicação da BR 101, trecho Palhoça/SC e Osório/RS. Autora: Maria Dorothea Post Darella, Garlet e Assis.
OBS.: Comentários como  “absurdo” proferido pelo  Procurador da República Dr. Celso Antônio Três, definem o teor deste relatório. Foi recomendado também, através do TCU – Tribunal de Contas da União, que o relatório deveria ter sido  elaborado por pessoas “isentas.”
* O EIA-RIMA/Antropológico para o projeto de duplicação da Br 101 trecho sul foi elaborado “objetivando a regularização de terras aos Guarani.
- PBA - Plano Básico Ambiental – Programa de Apoio às Comunidades Indígenas. Maria Dorothea Post Darella / Ivori José Garlet / Valéria Soares de Assis.
OBS.:  Após os autores do EIA-RIMA/Antropológico do trecho sul “constatarem” a existência de 30 (trinta) áreas de ocupação indígena Guarani, distribuídas entre Palhoça/SC e Osório/RS, coincidentemente às margens da Br 101 em fase de duplicação, os mesmos autores desta vez no  PBA (Plano Básico Ambiental), através do relatório – Programa de Apoio às Comunidades Indígenas -  concluíram pela exigência de medidas de ordem financeira denominadas “mitigadoras”, justificadas através da necessidade de  “realização de estudos antropológicos”. Recursos financeiros inclusos no orçamento do Projeto de duplicação da Br 101 pretendidos novamente junto ao BID.
Comentário: Existem inúmeros outros relatórios que deveriam ser acrescentados  à  lista citada por Ladeira, mas o clássico em termos de fraudes é o relatório para o Projeto de Zoneamento do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro / Morro dos Cavalos denominado OS ÍNDIOS GUARANI MBYÁ e o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro.  Maria Dorothea Post Darella / Aldo Litaiff.
OBS.: Relatório execrado pela FATMA e pelo Curador do Parque, o Promotor de Justiça da Comarca de Palhoça,  Dr. José Eduardo Cardoso.
Para não prolongar o assunto, saliento apenas a passagem contida no relatório acima, onde os autores manifestam a contumaz falta de compromisso para com a ética científica:
– “Não obstante, do século XVII ao século XIX pouco se sabe sobre a presença dos índios Guarani no litoral de Santa Catarina. O Cônego Gay cita obra escrita em 1612, relatando que a ilha de Santa Catarina, anteriormente povoada por esses índios, estava desabitada naquela época, uma vez que os grupos haviam se deslocado para o continente (apud Boiteux, 1912:46).(...) (Maria Dorothea Post Darella / Aldo Litaiff – pág. 04).
Os autores do relatório acima, Darella e Litaiff, omitem casuisticamente parte do texto de Boiteux, no intuito de confundir o leitor. Induzindo-o a conclusão equivocada de que os atuais Guarani - Mbyá, introduzidos no Morro dos Cavalos a parir de 1994, são os mesmos habitantes da costa nos idos do século XVI, a quem Boiteux se referia em seu texto.
Vejamos a transcrição COMPLETA do parágrafo  da mesma referência bibliográfica  utilizada por Darella e Litaiff  no relatório em questão:
Esta nação parece que foi bem numerosa, pois uma carta da Camara de S. Paulo de 13 de Janeiro de 1606 affirma que os Carijós “ podem ser duzentos mil homens de arco” e o conego Gay cita uma obra escripta em 1612 que diz-“ Aos 28° 30’ segue-se o porto da laguna dos Patos, com a entrada difficil a 40 leguas de distancia do Rio Grande. “ Moram alli mais de 10.000 guaranis mansos, que são amigos dos hespanhóes. “ Dez leguas  adiante segue-se a ilha de Santa Catharina que tem sete léguas de comprimento e quatro de largura e offerece excellente porto. “ Tem montes e grandes matas. “ Era povoada por guaranis, mas agora está abandonada, porque os naturaes passaram-se para o continente”. Por estas notícias bem podemos avaliar quão numerosa era esta tribu.”(BOITEUX, Lucas Alexandre:NOTAS PARA A HISTORIA CATHARINENSE. Pag.46).   
Veja o que diz a mesma obra 5 parágrafos anteriores, na página  45:
IV – No tempo da descoberta do Brazil mais de 400 tribus das raças Tupi-Guarani ocupavam ou disputavam a posse da vasta extensão comprehendida entre o Amazonas e o prata. A costa catharinense era povoada, segunda antigos chronistas, por uma grande tribu chamada Carijó, Carihó, ou melhor Cariyoé e que significa-descendentes dos brancos ou dos anciãos. Era ela conforme a maioria dos autores , da raça Tupi-Guarani e  outros mais modernos querem-na do ramo Tapuia . Sou propenso aos primeiros.”(...) (BOITEUX, Lucas Alexandre. NOTAS PARA A HISTORIA CATHARINENSE. Pág.45).
Quanto ao relato do cônego Gay citado por Boiteux e descaracterizado por Litaiff e Darella: “Era povoada por guaranis,”(...)  Boiteux  na sua obra está se referindo aos Carijó e não aos Mbyá-Guarani.  Boiteux na página 43 diz:
Uma nebulosa tradição tupi-guarani nos conta que em arredados tempos, quando ainda as florestas brasileiras eram taladas por animais bravios somente, aportou á costa uma embarcação trazendo em seu bojo os dous irmãos Tupi e Guarani com as respectivas famílias. (...). Estomagaram-se os irmãos e resolveram separar-se . Os da tribu guarani caminharam para o sul do Brazil, a começar por Cananéia, ficando os Tupis ao norte.
Finalizando, entende-se  que o cônego Gay ao utilizar o termo Guarani generalizou o uso a todos os indígenas habitantes do sul do Brasil, incluído neste contexto os Carijó. Esta nomenclatura generalizada era uma praxe nos primeiros séculos da colonização. Em nenhum momento Boiteux fez referências diretas ou indiretas aos Mbyá ou Nhandéva como pretende Litaiff e Darella ao citá-lo como referência as suas atuais teses descabidas.
Comentário: Todos os  relatórios citados, laudos e pareceres antropológicos, influenciaram a condução do Processo Demarcatório do Morro dos Cavalos e conseqüentemente na duplicação da Br 101 trecho sul. Imunes a qualquer contestação, foram subscritos por um lobby de antropólogos da UFSC em conjunto com Maria Inês Ladeira sócia fundadora da ONG/CTI, vinculada a PUC de São Paulo.

 - A  fraude  da anuÊncia dos proprietários das terras do  Morro dos Cavalos para com a demarcação de uma reserva indígena.
“UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Pró-Reitoria se Cultura e Extensão - Museu Universitário Oswaldo Rodrigues Cabral - Setor de Etnologia Indígena. Documento Final.”
A pedido da comunidade Mbyá-guarani de Morro dos Cavalos, não procedemos os estudos complementares necessários para a identificação e delimitação da referida aldeia. Segundo nos foi informado pelas lideranças Mbyá, estes índios entraram em acordo com os proprietários das áreas adjacentes, quando foi estabelecido que eles poderiam ocupar as terras localizadas na parte superior do Morro dos Cavalos.” (Processo Demarcatório Vol. 1 Folha  363).
Comentário:  O texto anterior assinado por Aldo Litaiff, Antropólogo da Universidade Federal de Santa Catarina atuante no processo demarcatório do Morro dos Cavalos, Coordenador do Projeto Guarani em Santa Catarina, autor do Relatório Antropológico para o Zoneamento do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, autor do Relatório para a Eleição da Área a ser Destinada pela TBG aos Índios Mbyá-Guarani do litoral do Estado de Santa Catarina,  fonte bibliográfica para o EIA-RIMA do projeto de duplicação da Br 101 - trecho sul, afirma ter havido doação de áreas particulares dirigidas a efetivação da Reserva Indígena do Morro dos Cavalos com a certeza de que seus relatórios nunca seriam lidos, ou, que somente através da conivência e da leniência suas falsas afirmações permaneceriam ocultas. Aos proprietários do Morro dos Cavalos jamais foi participado este “acordo” citado por Litaiff, tampouco estiveram em contato com qualquer liderança Mbyá tratando da “ocupação das terras localizadas na parte superior do Morro dos Cavalos”.  Aliás, o proprietário de parte do Morro dos Cavalos e outros das regiões adjacentes, são citados no resumo do Processo Demarcatório como não encontrados, embora residissem e residem no local.

 - A Fraude da aldeia Guarani do Morro dos Cavalos na Década de 1960.
³ (...) “da própria localização, visto os Guarani terem sido descobertos institucionalmente pelo DNER nessa área quando da construção do traçado original da rodovia BR 101, na década de 60.(Os Índios Guarani Mbyá e o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro - Maria Dorothea Post Darella e Aldo Litaiff – UFSC – 2000, pág. 68 - 5.8.1 Histórico - Item g.)
² “A aldeia deste grupo sofreu mudanças pelo fato de que a Br 101 atravessou toda a extensão desta área. Conforme trabalho topográfico realizado por representantes do Centro de Trabalho Indigenista, em 1991, estas terras hoje estão delimitadas em cerca de 16,40 há.(164.000m²) (ladeira, 1991).(A Identidade Étnica na Dinâmica Social dos Guaranis Nhandéva – Trabalho de Conclusão de Curso de Ciências Sociais - Maria Rosa Coutinho UFSC – 1994, pág. 11).
Comentário: O DNER / DNIT após consulta em seus arquivos expediu, através de declaração oficial, o desmentido quanto à existência de aldeias Guarani na região da Enseada de Brito / Morro dos cavalos, por ocasião da construção da Br 101 na década de 1960  

As   Mortes  dos  Guarani  –  Mbyá:   - Conseqüências  da  política dos assentamentos as margens da Br 101.
– “Não temos números exatos, mas segundo conversas com as pesquisadoras Dorothea Post Darella e Flavia Mello, e os índios Guarani, cerca de 11 acidentes fatais ocorreram desde 1996. Anteriormente, entre 1991 e 1996, em conversas eventuais, os índios mencionaram a ocorrência de 5. Além de acidentes fatais, acidentes graves com lesões, embora não computados são freqüentes.” (...) (Processo Demarcatório Vol. 2 - Relatório de Identificação e Delimitação - Folha  502).
Comentário: Não mais do que conversas eventuais quando se trata de indígenas mortos por atropelamento.  Meras “conversas eventuais, foi  o  encontrado num  emaranhado  de papéis repletos de mentiras, para definir acidentes fatais.  Acidentes ou assassinatos? Homens, mulheres e crianças indígenas indefesas, morrendo atropeladas.   A quem deveria ser atribuída à responsabilidade por essas  mortes?   Aos Mbyás Guaranis?   Aos motoristas?   A FUNAI? Ou aos Antropólogos que intervêm através do uso do instrumento da fraude nas questões indígenas e ao se manifestarem em relação mortes por atropelamento, tratam-nas como  conversas eventuais

Algumas fraudes adicionais:
Ao aceitar as veladas teses antropológicas, elaboradas a partir dos estudos referentes aos “Guarani da costa catarinense”, forçosamente se aceita também algumas aberrações antropológicas acadêmicas de conotação tragicômicas. São citações contidas nos relatórios antropológicos, favoráveis a ocupação indígena Guarani-Mbyá no Morro dos Cavalos:

1 - A fraude do levantamento cartográfico.
Comentário: A bibliografia  histórica sobre os povos Guarani, os define como contumazes agricultores. Neste aspecto comportamental, manifestações religiosas atreladas a indispensável terra agricultável compartilham iguais e importantes valores culturais.
Ladeira e seus colaboradores da UFSC, sabendo da prática agrícola religiosa  justificam a existência de áreas agricultáveis na região pretendida a demarcação, através da supressão voluntária das curvas de nível demonstradas na representação cartográfica do local. Esta fraude induz ao incauto leitor do processo demarcatório do Morro dos Cavalos, a uma interpretação equivocada das condições topográficas da região, considerando-a plana e conseqüentemente  propícia às atividades agrícolas.
Os  responsáveis pelos relatórios antropológicos do processo demarcatório / Morro dos Cavalos, subscrevem sem o menor constrangimento a fraude cartográfica, representada na forma de uma planície quando na realidade a região é  extremamente acidentada.

Veja a bibliografia abaixo:
Antonio Silva (1988) investe contra a importância que as atividades artesanais ganharam em detrimento das agrícolas: Nós estamos perdendo o costume de plantar. Agora é só balaio! Só andamos pela beira da estrada e na cidade dos brancos, fazendo e vendendo ajaka para trocar por comida. Acho que isto não está certo. Se parar de plantar já não se pode mais falar de Mbyá. Sem plantar, não é Mbyá.”  (Mobilidade Guarani: História e Significação. Ivori José Garlet – Dissertação de Mestrado – PUC – 1997, pág. 99).

OBS.: Veja nas próximas páginas o mapa fraudado proponente a área a ser demarcada através da supressão das curvas de nível, a representação cartográfica correta e a fotografia aérea das mesmas terras demonstrando a realidade topográfica da região.

ABAIXO, A CORRETA REPRESENTAÇÃO CARTOGRÁFICA


OBS.: - ABAIXO, a realidade topográfica da região demonstrada através da imagem de satélite.



OBS.: Note na região demarcada pelo círculo, (terço superior esquerdo do mapa) a intensa irregularidade topográfica da região.

 

2 - A Fraude DA AlDEIA GUARANI do Morro dos Cavalos na década de 1960.
Comentário: Assunto comentado na página 10 deste Relatório à UFSC.

3 - A fraude da transformação da malha fundiária.
A rápida transformação da malha fundiária do litoral acarretou, a partir do início dos anos 80, vários litígios envolvendo as comunidades indígenas.(Processo Demarcatório Vol. 2 -  Relatório de Identificação e Delimitação - Folha 423).
Comentário:  Não há nenhuma informação técnica (DER, DNER/DNIT, IBGE, DNOS etc.), ou até mesmo qualquer comentário em qualquer revista ou  periódico,  sobre a  “rápida transformação da malha fundiária” no litoral catarinense ou na região do Morro dos Cavalos no “início dos anos 80”.
Não há registros de quaisquer “litígios envolvendo as comunidades indígenas”, tampouco há registros de comunidades indígenas no litoral catarinense no início dos anos 80 exceto uma família de mestiços provenientes do Paraguai, sua região tradicional.

4 - A fraude dos sítios arqueológicos.
(...)“Pesquisas arqueológicas realizadas ao longo do litoral de Santa Catarina, comprovam que há grande número de sítios arqueológicos Guarani, em toda sua extensão.(Processo demarcatório Vol. 2 - Relatório de Identificação e Delimitação - Folha 413).
Comentário:  Na citação acima os sítios arqueológicos existentes e espalhados pela costa catarinense, passam a ser associados aos Guarani – Mbyá, sem a devida explicação de qual grupo indígena Guarani estes sítios são originários. Estudos, como os de Walter Piazza, comprovam que os sítios são originários dos povos Carijós ou de povos mais antigos, mas, jamais se encontrará qualquer citação bibliográfica, excetuando as dos antropólogos em questão, atribuindo os inúmeros sítios arqueológicos da costa aos Guarani-Mbyá do Paraguai, como quer e precisam os  autores do processo demarcatório para justificar suas teses da tradicionalidade  e permanência da ocupação indígena Guarani – Mbyá no Morro dos Cavalos.

5 - A fraude da Erva Mate -  (Ilex paraguariensis)*
(...) “I- E aí tinha erva-mate também? R - Erva-mate já existia. I – Aí vocês usavam ela? R – Usava muito.(...)” (Processo Demarcatório Vol. 2 -  Relatório de Identificação e Delimitação - Folha 451).
Fonte² - “Normalmente tomam o Chimarrão que é um costume dos seus antepassados, segundo informações deste grupo, e declaram sempre que a erva faz muito bem à sua saúde.” (A Identidade Étnica na Dinâmica Social dos Guaranis Nhandévas - Maria Rosa Coutinho – 1994 Conclusão de Curso de Ciências Sociais – UFSC).
Comentário: - O hábito do consumo da erva-mate pelos indígenas recentemente assentados no Morro dos Cavalos, é justificado através da declaração colhida de uma indígena (Fonte²).  Lendo-a na íntegra observa-se à insinuação do consumo secular  desta erva exótica à região, o que é uma informação falsa. No litoral não se consome o chimarrão.
A erva-mate  é um elemento da cultura indígena Guarani incorporada, através da modificação do seu uso, ao hábito (chimarrão) e folclore do gaúcho das regiões oeste do rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Aplica-se o mesmo conceito  desta vez relativo à cultura Argentina.  Especificamente ao Paraguai a erva-mate assume um papel marcante no contexto cultural do seu povo, evidenciado através do consumo diário do Tê-rê-rê.
* Nome científico Ilex paraguariensis   conhecida também como erva mate, mate ou  erva-do-Paraguai. Não há registros bibliográficos históricos sobre o consumo de erva-do-paraguai no litoral de Santa Catarina pelos carijós. Tampouco encontramos citações sobre uma provável espécie distinta típica do litoral catarinense, denominada “Ilex catarinensis”, no intuito de entender as teses da tradicionalidade da ocupação da costa catarinense por indígenas paraguaios como defendem os antropólogos da UFSC.

6 - A fraude dos 256 anos.
(...) “N – É, caqui, laranja, também diz que é tudo veneno, para nós era veneno.(...) Jaca, agora que a gente conheceu.(...) Banana a gente já conhecia depois que as pessoas trouxeram.” (Processo Demarcatório Vol. 2 -  Relatório de Identificação e Delimitação - Folha 449).
(...) “O crescimento da ocupação na região do entorno, a despeito da criação do Parque (...) em 1975, o que foi também um agente cerceador do uso tradicional indígena,”(...).(Processo Demarcatório Vol. 2 -  Relatório de Identificação e Delimitação - Folha 423-424).
Comentário:  Segundo o depoimento da indígena “N”, supõe-se que a Índia depoente tenha nascido na região, ao alegar ter conhecido as frutas citadas somente “depois que as pessoas trouxeram”. Dando a entender que as pessoas (brancos) após  chegarem à região, então habitada pela índia e seus familiares, apresentaram estas frutas a indígena e a sua família. O Morro dos cavalos é um acidente geográfico de pequenas dimensões, circunscrito ao distrito da Enseada de Brito, comunidades de brancos que o margeiam pelo lado norte, leste e sul.
Considerando que a histórica vila da Enseada de Brito foi fundada em 1749, e supondo haver veracidade no  depoimento da indígena como argumento a tese demarcatória, chega-se à conclusão de que a indígena depoente possui a surpreendente idade próxima aos 257 anos.
Mais uma fantástica descoberta antropológica.
Sobre a  FONTE ², há uma distorção dos fatos. Antes da criação do Parque o entorno era ocupado por lavouras e roças pertencentes aos moradores da região. Após o decreto da criação do Parque o entorno do atual assentamento indígena, ficou despovoado em razão dos impedimentos legais de ordem ambiental definidos pela FATMA.

7 - A fraude dos remanescentes dos carijós.
¹ - (...) “Segundo Milton Moreira (filho de Júlio Moreira e morador de Morro dos Cavalos até 1987(...) em seu texto “Contando a História do Guarani Nato da Ilha de Santa Catarina”(...)  haviam várias aldeias na ilha de Santa Catarina, onde viviam índios da tribo “Chiripas e Phaim”.(...) Segundo afirma no mesmo texto, eles próprios são descendentes dos índios “Guarani-karijós”.” (Processo Demarcatório Vol. 2 -  Relatório de Identificação e Delimitação - Folha 430).
Comentário;  Veja a citação bibliográfica: A família Guarani presente no Morro dos Cavalos, se constitui basicamente por parte da descendência do casal Guarani Nhandéva, Júlio Moreira e Isolina Moreira, ambos provenientes do Paraguai” (...). (A Identidade Étnica na Dinâmica Social dos Guaranis. Maria Rosa Coutinho - Conclusão de Curso de Ciências Sociais – UFSC – 1994).
OBS.: - Ver a página  04  deste Relatório à UFSC, a entrevista de Litaiff.
Comentário:  - Afirmar que Guaranis Mbyás e Carijós pertencem a um mesmo grupo étnico, é o argumento necessário à comprovação da tradicionalidade na ocupação das terras do Morro dos Cavalos.  Ladeira e seus colaboradores da UFSC alheios à responsabilidade ética no trato para com a antropologia como ciência, necessitam provar a tese da tradicionalidade Mbyá-Guarani  para justificar a  demarcação de  terras, segundo os preceitos constitucionais da Carta Magna.
Observação: Não há registros bibliográficos sobre remanescentes Carijós na região. Não há registros sobre um pretérito êxodo de indígenas Mbyá supostamente habitantes do litoral, em direção aos confins do Paraguai.

8 - A fraude dos indígenas invisíveis do litoral.
(...) “A ausência ou insuficiência de registros sistemáticos sobre a presença contínua dos Guarani na costa Atlântica não deve se constituir em prova de negação dessa presença indígena.” (Processo Demarcatório Vol. 2 -  Relatório de Identificação e Delimitação - Folha 413).
(...) “Levantamentos realizados a partir da década de 1970, e a crescente visibilidade das aldeias na atualidade, comprovam que os Mbyá passaram a predominar numericamente em toda a faixa litorânea do Rio Grande do  Sul ao Espírito Santo.”(Processo Demarcatório Vol. 2 -  Relatório de Identificação e Delimitação - Folha 418).
Comentário:  Sobre as duas citações acima afirmamos, respaldados por pesquisas realizadas nas universidades de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, FUNAIIBGE, a inexistência de “Levantamentos realizados a partir da década de 1970” comentando, citando ou sequer sugerindo a  predominância dos Mbyá-Guarani“numericamente em toda a faixa litorânea do Rio Grande do  Sul ao Espírito Santo”, (nesta faixa está Santa Catarina e o Morro dos Cavalos). Levantamentos realizados a partir da década de 1990, subscritos por Maria Inês Ladeira, Aldo Litaiff ou Maria Dorothea Post Darella não são fontes confiáveis à comprovação de qualquer tese científica.

9 - A fraude do êxodo Mbya “do litoral” em direção ao Paraguai.
(...)“Durante a colonização, movimentos de retirada dos Guarani/Carijó de lugares que ocupavam no litoral, para outros, foram os meios que encontraram para manterem-se distantes dos novos povoadores sem submeterem-se aos seus processos de  “domesticações”. (Ladeira, Darella e Ferrareze, 1996:21)”. (Processo Demarcatório Vol. 2 -  Relatório de Identificação e Delimitação - Folha 413).
(...) “No século XIX, os Guarani que tendo escapado dos colonos e dos jesuítas conservaram sua autonomia, estabelecendo-se num território que durante muito tempo permaneceu inacessível, foram denominados caaiguás ou cainguás gente da floresta (Clastres, H., 1978).” (Processo Demarcatório Vol. 2 -  Relatório de Identificação e Delimitação - Folha 412).
Comentário: Não há comprovação bibliográfica para a tese de um provável  processo de evasão indígena Carijó  da costa sul do Brasil / Santa Catarina, em direção aos confins do Paraguai. É mais uma afirmação falsa objetivando configurar uma tradicional, mesmo que remota ocupação, do povo Mbyá na costa catarinense. A bibliografia define como caaiguás ou cainguás os indígenas não contatados habitantes das matas do Paraguai. Não há citações bibliográficas sequer mencionando uma possível correlação entre os Carijós da costa e os Caaiguás do Paraguai.
Veja a bibliografia:
A referências aos Mbyá, nos documentos históricos, cobrem um período de três séculos aproximadamente. (...) uma vez que o tratamento dado aos Guarani que não estavam enquadrados sob o sistema reducional ou de prestação de serviços no regime das encomiendas era genérico ou depreciativos. Estes eram os Ka’yguá  - os do mato, ou os monteses.” (Mobilidade Guarani: História e Significação. Ivori José Garlet – Dissertação de Mestrado – PUC – 1997 – pág.24). 

10 - A fraude dos indígenas sem roupas no Morro dos Cavalos.
(...) “ I - A roupa, vocês usavam a roupa do Juruá?
R – Não, a roupa nossa, tem ainda nossa roupa...,(...) (...)Ninguém usava pelado mesmo, ninguém.”(Processo Demarcatório Vol. 2 -  Relatório de Identificação e Delimitação - Folha 447).
Comentário: O Morro dos Cavalos pode ser avistado do centro de Florianópolis. Mesmo assim sugere-se, segundo a depoente indígena (I), que ela, a indígena e seus familiares, viviam nus no Morro dos Cavalos as margens da BR 101.
Não seria um caso de posicionamento geográfico equivocado, confundir a Br 101/SC  com a rodovia Trans-Amazônica da década de 1970?
Não há registros de indígenas vivendo “pelado mesmo” no Morro dos Cavalos nos últimos trinta anos e nem antes.

11 - A fraude dos indígenas escondidos nas matas catarinenses em 1991.
(...) “Indica ainda a possibilidade de que alguns grupos familiares conservaram-se em parte de seu território desde a época da conquista.
(...)“Os Nhandéva de Santa Catarina, hoje, não identificam parentes no litoral sul se São Paulo e vice  versa, não mantendo atualmente nenhum intercâmbio social. Este fato talvez indique que os Nhandéva estejam estabelecidos secularmente nesses lugares.” (Processo Demarcatório Vol. 1 – Folha 26) .
Comentário: Primeiramente cabe um esclarecimento: Para qual grupo indígena o relatório antropológico do processo demarcatório do Morro dos Cavalos se propõe a demarcar terras, Nhandéva ou Mbyá?
De qualquer modo a possibilidade aventada “de que alguns grupos familiares conservaram-se em parte de seu território desde a época da conquista”eque “os Nhandéva estejam estabelecidos secularmente nesses lugares” denota a falta de compromisso com a verdade.
No intuito de suprir as exigências legais pertinentes ao Artigo nº 231 da Constituição Brasileira (ocupação tradicional e permanente), surge mais uma fantástica descoberta antropológica. Séculos se passaram e ninguém notou a presença, “desde a conquista” de Guaranis  Mbyá a 25 minutos do centro de Florianópolis?
Estariam os cientistas antropólogos, novamente, cometendo um lapso de atenção ao confundir o litoral de Santa Catarina com a vastidão da floresta amazônica?
Veja a citação bibliográfica abaixo:
Discorda-se de LADEIRA quanto ao tempo de ocupação e presença Mbyá no litoral. Por exemplo, quando a autora afirma que “...a ocupação Guarani Mbyá no litoral leste e sul do Brasil antecede, em muito, tempo, a chegada dos primeiros europeus” (LADEIRA, 1992:148), não apóia sua afirmação em evidências arqueológicas ou históricas consistentes. Embora seja possível afirmar que os Guarani ocupavam o litoral muito antes dos Europeus, é difícil identificar qual(is) grupo(s) localizava(m)-se nas regiões em questão.” (Mobilidade Guarani: História e Significação. Ivori José Garlet – Dissertação de Mestrado – PUC – 1997 – pág. 83).

12 - A fraude  do desconhecimento  da língua  portuguesa pelos indígenas do Morro   dos Cavalos.
A despeito da existência de uma memória e de uma construção coletiva de sua história de contato, encontra-se, entre os Guarani (especialmente do subgrupo Mbyá), uma minoria com domínio da língua portuguesa e inúmeras famílias com pouca comunicação com a sociedade envolvente.”(Processo Demarcatório Vol. 2 -  Relatório de Identificação e Delimitação - Folha 419).
Comentário: - Obviamente os Mbyá assentados no Morro dos Cavalos não falam o português. Afinal recentemente (início da década de 1990) chegaram ao Brasil vindos do Paraguai ou de Missiones na Argentina.
Tenta-se provar que os Mbyá-Guarani, indígenas pretendidos a uma reserva indígena no Morro dos cavalos, estavam isolados nos recônditos das “selvas” da costa catarinense até 1992, Parque do Tabuleiro talvez? e por esta razão não falam o português.
O que os antropólogos atuantes no processo demarcatório não esclarecem é o fato de que os indígenas Mbyás assentados no Morro dos Cavalos falam o espanhol ou castelhano, além do Guarani.

13 - A fraude  testemunhal sobre a comunidade de Araçatuba.
A Prefeitura de Palhoça através do Secretário de Educação não se opôs aos estudos antropológicos na comunidade de Araçatuba.(Edital de demarcação - Diário Oficial da União. 18/12/2005 - pág. 46).
Comentário: - A histórica comunidade de Araçatuba e a escola lá existente estão inseridas dentro da parte sudeste, da pretensa reserva indígena do Morro dos Cavalos. A FUNAI e seus colaboradores antropólogos, pretendiam eliminar esta comunidade através de declarações improcedentes atribuídas aos administradores municipais, esta fraude legitimou a Prefeitura Municipal de Palhoça a contestar administrativamente o Processo Demarcatório.

14 - A fraude  testemunhal sobre a comunidade da Foz do Massiambu.
FONTE - Processo Demarcatório Vol.  1 - Folhas 97-98.
Comentário: Sobre a comunidade da foz do Massiambu inserida dentro dos limites sul da pretensa terra indígena ocupada há mais de um século por famílias descendentes de açorianos, os antropólogos atuantes neste processo demarcatório valendo-se da ingenuidade e da pouca instrução daquelas famílias, tentaram comprovar a tradicionalidade da ocupação Guarani-Mbyá, citando-as como fontes de informação favoráveis a suas teses da tradicionalidade. Tais informações foram desmentidas pelas famílias conforme declarações lavradas em cartório.


CONCLUSÃO – Como foi comentado ao longo deste relatório, não há fontes bibliográficas históricas anteriores a 1993, que sustentem ou sequer mencionem a tradicional e permanente ocupação do Morro dos Cavalos, ou de qualquer outro local do território catarinense, por indígenas Guarani-Mbyá. Argumentações de fé ou fontes bibliográficas embasadas única e exclusivamente nos próprios textos dos autores, proponentes às teses demarcatórias, não correspondem aos corretos procedimentos relativos à ética científica, necessários à validação desta tese.  
Litaiff, Darella e Ladeira, atuantes principalmente no Processo Demarcatório do Morro dos Cavalos, no EIA-RIMA do Projeto de Duplicação da Br 101 - Trecho Sul ou ainda, no Relatório Antropológico para o Zoneamento do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, se revezam entre si, ora autores ora fontes bibliográficas, para assim darem sustentação as suas mútuas conclusões. Para a preservação da Antropologia como ciência, conclusões carentes de lisura, deveriam ser desconsideradas. 
O pesquisador sendo antropólogo ou não, beneficiado ou não pelo protocolo de intenções firmado entre o Ministério Público Federal e a Associação Brasileira de Antropologia, vinculado ou não a Instituições de renome, deve pautar-se nos rigores da praxe acadêmica inerente aos procedimentos técnicos que fundamentam, legitimam e dão credibilidade a qualquer resultado científico. Somente permanecendo alheios ao mais básico dos princípios morais, a honestidade, Litaiff, Darella e Ladeira conseguirão tentar “reconstruir ou reinterpretar a história” da ocupação indígena no litoral. ** (ver página 02 deste relatório).
No decorrer do ano de 2005 enviei ao TCU - Tribunal de Contas da União, um apanhado documental alusivo à situação indígena catarinense (Mbyá-Guarani) / Duplicação da Br 101-Trecho sul. Julgando-o procedente o TCU efetivou os devidos encaminhamentos através do processo nº 003.582/2005-8/TCU/SC. Consegui com esta iniciativa contribuir para com a proba versação do dinheiro público, evitando o desperdício do erário na ordem aproximada de R$ 65.000.000,00 (sessenta e cinco milhões de reais), somente na região do Morro dos Cavalos.  
Valores monetários ou questões financeiras são importantes, mas não devem em hipótese alguma se sobrepor aos direitos humanos, relegados quando se trata de indígenas Guarani. “Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos do homem resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum,”. 
Antes de almejar a aplicabilidade do preâmbulo acima, extraído da Declaração dos Direitos Humanos da ONU, seria de grande valia evoluir a atual conceituação lúdica antropológica acadêmica dirigida aos seres indígenas Guarani, aculturados a mais de um século. Para tanto, o primeiro passo será permitir a estes seres indígenas, assumirem a condição de seres humanos*. A eles permitir o acesso aos direitos e a contrapartida dos deveres no âmbito da realidade social a que foram submetidos. Esta atitude além de benéfica a estes povos oprimidos usados como massa de manobra, permitirá a implementação de uma nova política indigenista voltada à manutenção das distintas culturas Guarani, dentro dos seus devidos locais de origem.
O Estado, refém do charlatanismo deveria ser informado das  responsabilidades perante a atual política indigenista perniciosa. Tornou-se urgente o manifesto da verdadeira ciência sociológica primeiramente voltado à adequação dos indígenas Guarani Mbyá e Nhandéva, no contexto social em que foram inseridos.
No tocante às questões Guarani no Estado de Santa Catarina é inegável a responsabilidade do Governo Estadual, quanto a atual conjuntura social indígena. Partícipe da Portaria N° 2.711, constituída entre outros, por um Procurador e um Secretário de Estado do Governo de Santa Catarina, editada em 24/09/2004, publicada pelo Ministério da Justiça, a “Comissão Especial, de natureza interinstitucional, com a finalidade de proceder a estudos e ofertar sugestões à solução das questões indígenas no Estado de Santa Catarina” até hoje não se manifestou.
Vale lembrar:  O projeto de duplicação da Br 101 em execução, cujo custo total estima-se ser superior a um bilhão de reais, pautado por um  EIA-RIMA/Antropológico considerado “um absurdo”, estudo elaborado sem a devida “isenção” como bem informou o TCU em seu acórdão. Os autores destes relatórios antropológicos fraudulentos, amparam-se institucionalmente na Universidade Federal de Santa Catarina, para realizar tais trabalhos.
Finalizando este breve Relatório à Universidade Federal de Santa Catarina, constituído da condensada e informal exposição do tema em questão, caso a UFSC opte pela preferência na averiguação das responsabilidades afetas ao âmbito científico acadêmico, faço um alerta: a questão antropológica Guarani no território catarinense assumiu proporções internacionais, envolvendo direitos humanos, universidades estrangeiras, bancos de fomento Internacionais, interesses fundiários paraguaio e mais diretamente, o sempre atual, impedimento na conclusão do projeto de duplicação da Br 101.
Neste contexto de múltiplos interesses e responsabilidades ainda indefinidas, onde vidas humanas estão sendo ceifadas, não cabe a presunção injusta das culpabilidades, tampouco a alternativa da procrastinação. Portanto estou priorizando para a Universidade Federal de Santa Catarina, a oportunidade do conhecimento da questão na íntegra  e desta forma, também me eximo do dever de viabilizar o amplo conhecimento dos fatos, para esta importante Instituição Universitária.

No aguardo de um posicionamento, agradeço a atenção dispensada.

Atenciosamente,

 

___________________________
Walter Alberto Sá Bensousan
Cel. (48) 9001-2X-01
[email protected] (inativo).

 

*Eu reclamava que a antropologia brasileira deixasse de ser uma primatologia ou uma barbarologia, que só olha os índios como fósseis vivos do gênero humano, que só importam como objetos de estudos. Sempre gostei, por isso, da tirada de Noel Nutels, que chamava os antropólogos de “gigolôs de índios”. De fato, ele, que procurava assisti-los, conheceu inúmeros desses estudiosos, que lá estavam sem levantar uma palha a favor dos índios, apenas de olhos abertos, de ouvidos acesos, ouvindo, olhando, aprendendo: gigolando”.
(Darcy Ribeiro, Confissões - 1997).

Bibliografia Consultada

1. A INTEGRAÇÃO DO ÍNDIO NA SOCIEDADE REGIONAL -A FUNÇÃO DOS POSTOS INDÍGENAS EM SANTA CATARINA. Silvio Coelho dos Santos – 1970.

2. “as divinas palavras”: represeNtações étnicas dos guarani-  mbyá - Dissertação de Mestrado-UFSC. Aldo Litaiff -1991.

3. AS LENDAS DA CRIAÇÃO E DESTRUIÇÃO DO MUNDO COMO FUNDAMENTOS DA RELIGIÃO DOS APAPOCÚVA-GUARANI. Unkel, Curt Nimuendaju – Tradução de Charlotte Emmerich & Eduardo B. Viveiros de Castro -1987.

4. aspectos fundamentais da cultura guaraní. Egon  Schaden -1962.

5. BOTOCUDO: UMA HISTÓRIA DE CONTATO. Alexandre Machado Namem.

6. ESTRATEGIAS DE DESARROLLO RURAL EN LOS PUEBLOS GUARANIÉS
(1609-1767).  Rafael Carbonell - 1992.

7. História da Companhia de Jesus no Brasil - Serafim  Leite, S.I. - 1945.

8. HISTÓRIA DE SANTA CATARINA. Oswaldo R. Cabral - 2º Edição - 1970.

9. IBIRAQUERA A HISTÓRIA DE UM LUGAR UM MOVIMENTO SINGULAR E UNIVERSAL. Dissertação de Mestrado – UFSC. Maria de Lourdes Avellar – 1993.

10. ÍNDIOS DO BRASIL. -  Julio Cezar Melatti - 3º Edição - 1980 .

11. INDIOS E BRANCOS NO SUL DO BRASIL– A Dramática  Experiência dos Xokleng. Silvio Coelho dos Santos – 1973.

12. NOTAS PARA A HISTÓRIA CATHARINENSE PELO  CAPITÃO-TENENTE LUCAS ALEXANDRE BOITEUX . Lucas Alexandre Boiteux – 1916.

13. O GUARANI: Uma bibliografia etnológica. Bartolomeu Melià; Marcos Saul; Vinícius de Almeida; Valmir Francisco Muraro – 1987.

14. OS CARIJÓS: Lá nas Raízes. Theobaldo Costa Jamundá - 1987.

15. OS GRUPOS JÊ EM SANTA CATARINA. Silvio Coelho dos Santos.

16. OS TRINTA POVOS GUARANIS. Arnaldo Bruxel -1977.
17. - projeto uruguai - Silvio Coelho dos Santos; Leslie Aspelin; Anelise Nacke; Regina W. Schmitz da Silva - 1978.

18. SANTA CATARINA NO SÉCULO  XVI - Separata do volume II dos Anais do Primeiro Congresso de História Catarinense. Lucas Alexandre Boiteux - 1950.

19. SOBRE A NECESSIDADE DE TERRAS PARA OS ÍNDIOS GUARANI DO LITORAL DE SANTA CATARINA: ESTUDO A PARTIR DO CASO MASSIAMBU - Trabalho de conclusão de Curso-UFSC - Maristela Farias D. Honczarick – 1997.

20. TRAGÉDIAS EURO-XOKGLENG E CONTEXTO. Dorvalino Eloy Koch -2002.

21. GABRIEL SOARES DE SOUZA -TRATADO DESCRITIVO DO BRASIL EM 1587.
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22. URÍ   WÃXI - Estudos Interdisciplinares dos Kaingang. Lúcio Tadeu Mota; Noelli, Francisco Silva;, Kimiye Tommasino (Org.) - 2000.

23. VIAGEM PELAS PROVÍNCIAS DE SANTA CATARINA, PARANÁ E SÃO PAULO (1858). Robert Ave Lallemant – 1980.

24. vinte luas-Viagem de Paulmier de Gonneville ao Brasil 1503 –1505. Leila Perrone Moises.

25. A Nova História de Santa Catarina - 4º ed.rev.ampl.- Florianópolis: terceiro milênio. Silvio Coelho dos  Santos - 1998.

26. A IDENTIDADE ÉTNICA NA DINÂMICA SOCIAL DOS GUARANI NHANDÉVA - Trabalho de conclusão de Curso – UFSC. Rosa Maria Coutinho – 1994.

27. MAPA ETNO – HISTÓRICO DE CURT NIMUENDAJU - IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – 2002.

28. HANDBOOK OF SOUTH AMERICAN INDIANS - Volume I – THE MARGINAL TRIBES. Editor-Julian H. Steward - 1946.

29. O HOMEM ÍNDIO SOBREVIVENTE DO SUL-ANTROPOLOGIA VISUAL. Silvio Coelho dos  Santos - 1978.

30. A PERÍCIA ANTROPOLÓGICA EM PROCESSOS JUDICIAIS – Orlando Sampaio Silva;  Lídia Luz;  Cecília Maria Helm – 1994.

31. CONFISSÕES.  Darcy Ribeiro – 1997.

32. Os Índios Guarani Mbya e o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro.Maria Dorothea Post Darella e Aldo Litaiff – UFSC - 2000.

33. EIA/RIMA–Duplicação da Br-101 Trecho Florianópolis (SC) – Osório (RS).  Estudo de Impacto: As Populações Indígenas e a Duplicação da Br 101,  Trecho Palhoça/SC –Osório/RS. Maria Dorothea Post Darella, Ivori J. Garlet, Valéria S. de Assis.

34. Plano Básico Ambiental - RIMA - Duplicação da Br-101 Trecho Florianópolis (SC) – Osório (RS). (Maria Dorothea Post Darella).

35.  Processo Demarcatório Reserva Indígena do  Morro dos Cavalos. Vol. 1 e 2. Maria Inês Ladeira;  Maria Dorothea Post Darella; Aldo Litaiff; Antônio Wagner de Oliveira, Walter Coutinho Jr.; entre outros.

36. INTERNET  - Jornais   A Notícia, Diário Catarinense, O Estado de São Paulo.